Quem é Beatriz Bueno?

Beatriz Bueno é pesquisadora, escritora, comunicadora, palestrante e criadora do Parditude, o primeiro projeto antirracista brasileiro dedicado às pautas das pessoas pardas e mestiças. Desde 2013, estuda as relações raciais no Brasil e, a partir de 2017, passou a desenvolver pesquisas acadêmicas voltadas à experiência das pessoas pardas, abordando temas como identidade racial, heteroidentificação, pertencimento, miscigenação e racismo.

Em 2026, lançou o livro Parditude: Um guia para te resgatar do limbo racial, publicado pela Editora Planeta, no qual reúne reflexões pessoais, pesquisas e análises sobre a experiência de ser pardo no Brasil.

Além da pesquisa, Beatriz atua na produção de conteúdo, na educação antirracista e na realização de palestras para universidades, empresas e instituições, com o objetivo de ampliar o debate sobre a realidade das pessoas pardas e contribuir para uma compreensão mais ampla da diversidade racial brasileira.

O que é Parditude?

A palavra parditude foi criada pela pesquisadora Beatriz Bueno. Desde 2013, ela estuda a luta antirracista no Brasil e, em 2017, ao ingressar na universidade pública, passou a dedicar sua trajetória acadêmica ao estudo das relações raciais brasileiras, com foco na experiência das pessoas pardas.

Em 2021, Beatriz começou a compartilhar informações de suas pesquisas nas redes sociais, na época o projeto se chamava Identidades Cinzas. No ano seguinte, porém, teve um sonho no qual surgiu espontaneamente a palavra parditude, um termo que nunca havia ouvido antes. Ao refletir sobre seu significado, percebeu que ele sintetizava de forma mais precisa a condição das pessoas pardas. A partir dessa percepção, decidiu renomear o projeto.

Com a expansão do projeto e a difusão do termo nas redes sociais, parditude passou a ser utilizada em dois sentidos complementares:

1. parditude (com p minúsculo) Nesse caso, parditude é um termo derivado do radical "pardo", acrescido do sufixo "-itude" de origem latina e difundido pelo francês, utilizado para formar substantivos abstratos que expressam estados, qualidades ou condições, como em altitude, plenitude, magnitude, negritude e branquitude.

Assim, parditude significa literalmente "o estado ou a condição de ser pardo", compreendida como uma categoria étnico-racial brasileira. Uma experiência biológica, histórica, social, cultural e subjetiva vivida pelas pessoas pardas.

2. Parditude (com P maiúsculo) Parditude é principalmente o nome do projeto de ativismo social idealizado pela pesquisadora Beatriz Bueno. Trata-se do primeiro projeto antirracista brasileiro dedicado especificamente às pautas das pessoas pardas e mestiças. Além da atuação como movimento social e digital, a Parditude é um projeto de pesquisa acadêmica em desenvolvimento, voltado à produção de conhecimento sobre a experiência parda, à promoção de visibilidade, ao acolhimento e ao fortalecimento do pertencimento dessa população.

Ser pardo no Brasil é habitar um limbo: não ser claro o suficiente para escapar do racismo, nem escuro o bastante para que esse racismo seja reconhecido e acolhido por uma comunidade negra. Em Parditude, Beatriz Bueno mergulha nessa experiência ambígua, revelando as dores, as contradições e a beleza de existir na encruzilhada racial brasileira.

Partindo de uma reflexão íntima de sua trajetória pessoal realizada a partir da pesquisa acadêmica, a autora desvenda a complexidade de ser mestiça em um país que, contemporaneamente, se recusa a enxergar além do preto e do branco. Com sensibilidade e rigor, ela expõe as pressões sociais: a infância marcada pelo desejo de embranquecer para ser aceita e amada, na busca pelo padrão hegemônico inalcançável; a adolescência, pelo anseio de pertencer plenamente às comunidades e aos movimentos negros, também não realizado; por fim, a jornada de aceitação como parda mestiça e a criação de uma comunidade própria.

Estas páginas desafiam os discursos que apagam a miscigenação. Ao resgatar histórias ancestrais e confrontar estatísticas, mostram como a identidade parda é constantemente negada – seja pelo racismo, seja por quem reduz a discussão racial a uma dicotomia.

Com uma escrita potente e necessária, este livro é um convite à reconciliação. Um chamado para que pardos deixem de carregar a culpa por existir e passem a amar, enfim, a riqueza de suas raízes múltiplas. Para que as próximas gerações não precisem mais perguntar qual é seu lugar.

O Brasil é mestiço

Parditude propõe uma reorientação na forma como as relações raciais são abordadas no Brasil. Sua tese defende que as pessoas pardas possuem uma identidade mestiça/multirracial legítima, com experiências, dilemas e desafios psíquicos e sociais próprios. Parditude critica a visão binária (que divide a sociedade estritamente entre "brancos" e "negros") importada de modelos como o norte-americano, argumentando que a experiência do pardo/mestiço não deve ser resumida a de um "negro claro" ou "branco escuro", mas sim mestiço. O objetivo com o projeto é debater o pertencimento, o colorismo e a saúde mental da população parda, além de propor uma comunidade de acolhimento para pessoas que compartilham dessa ambiguidade fenotípica.

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