Parditude é um movimento dedicado ao combate do racismo contra pessoas pardas e mestiças, ao enfrentamento de discursos que desvalorizam a miscigenação brasileira e à construção de uma comunidade de acolhimento, pertencimento e valorização das pessoas pardas e do Brasil como um país de formação mestiça.
Na pesquisa sobre a Parditude, identificamos dois momentos históricos principais e opostos na forma como o Brasil lidou com a questão racial.
No primeiro, a miscigenação era, até certo ponto, celebrada, mas não havia um compromisso real do Estado e das instituições com o combate ao racismo.
No segundo, mais recente, cresce o compromisso com o combate ao racismo, mas, existe um movimento extremo de negar ou desvalorizar a miscigenação como parte da realidade brasileira, invisibilizando a experiência das pessoas pardas e parte da própria história do Brasil.
Hoje, os principais movimentos que lutam contra o racismo, validam apenas categorizações rígidas como branco ou negro, se inspirando no modelo dos EUA e implementando algo que não corresponde a diversidade do Brasil.
Nesse cenário, muitos pardos enfrentam, além do racismo já comprovado estatisticamente, crises de identidade, exclusão e uma sensação constante de não pertencimento. Além disso, sofrem injustiças, como recusas em bancas de heteroidentificação.
A missão da Parditude é mostrar ao Brasil e ao mundo que é possível valorizar a história da mestiçagem brasileira e combater o racismo ao mesmo tempo. Não é preciso escolher entre uma coisa e outra.
O que defende o Parditude?
Parditude responde uma questão:
Como conciliar combate ao racismo com o fato de que vivemos em um país mestiço?
Defendemos o direito das pessoas pardas se afirmarem como mestiças que são. Somos contra mentalidades de branqueamento, por isso acreditamos na importância de resgatar memórias indígenas e africanas que compõem nossa história e foram massacradas ao longo da história. Mas também somos contra mentalidades mais recentes de enegrecimento.
Nosso compromisso é com uma visão antirracista que respeite a diversidade e reconheça as particularidades da formação histórica e racial do Brasil. Acreditamos na união entre pretos, pardos, indígenas e toda a nação brasileira.
No entanto, questionamos a hipodescendência (a ideia de considerar a pessoa parda apenas como negra) como estratégia para promover essa união, pois entendemos que essa abordagem pode apagar as especificidades e a complexidade das experiências vividas pelas pessoas pardas.
Mestiços são uma fusão e devem ser respeitados como tal. O Brasil é um país de maioria mestiça e não negra. Essa verdade importa.